sexta-feira, 19 de junho de 2009

A nécessaire

Não foi muito tempo depois que tudo começou que eu quis nos dar um presente: conforto. Eu acho que você nem ligava tanto, então, confesso, foi um presente um pouco egoísta. Eu sempre fui bem fresquinha e não suportava, após uma boa noite, ser castigada com aquele sabonetinho nojento que deixava a pele parecendo uma lixa e o xampu 2 em 1 que transformava qualquer cabelo em palha. Isso sem falar na escova de dentes que se desintegrava na boca!

E foi assim, que perto daquela data especial eu tive a ideia de montar um kit de coisas que deixassem o período entre a boa noite e o bom café da manhã igualmente agradável. Não lembro a reação que você teve no dia em que nos dei o presente, mas sei que ele fez toda diferença em nosso bem estar.

Ao longo do tempo – e conforme a necessidade – coisas foram acabando e sendo repostas, e coisas que não existiam antes sendo adicionadas. E eu ficava brava quando você usava as nossas coisas quando tinha esquecido a bolsa da academia ou a escova de dentes do trabalho. Me sentia meio traída, que bobagem...

E então, quando tudo acabou , não quis de volta fotos e presentes (o que, aliás, seria bem ridículo), nem qualquer outro objeto que me pertencesse. Você me devolveu um objeto de valor que eu havia emprestado, mas eu só queria aquela nécessaire de volta. E ela não voltou tão rapidamente. Sei que parece uma exigência tola e novamente egoísta, mas eu não suportava a ideia de que outra pessoa compartilhasse de um objeto (e tudo o que nele continha) que dizia tanto de nós, que carregava tanta história. Quando ela voltou, no último fim de semana, não veio como eu tinha deixado; mais um item havia sido adicionado: o teu sentimento escrito em vermelho.

E assim, essa nécessaire, um objeto tão simples, tornou-se a metáfora perfeita da nossa história: começou bonita, com tudo novo dentro; aos poucos percebemos coisas que faltavam e adicionamos, coisas que acabaram foram repostas por outras; e voltou pra mim com alguns produtos acabando, e outros que nem chegaram a ser usados. E o mais importante: tem um item lá que está presente desde o começo, e que ainda não acabou...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Triste constatação

Hoje fiquei umas duas horas tentando escrever um post aqui e não consegui.

Em compensação, no Twitter, fui até chata, de tanto que postei.

Eu gostava tanto de escrever... não consigo mais. :(

domingo, 7 de junho de 2009

Exausta e debilitada

"Além disso, tenho problemas de limites com os homens. Ou talvez não seja justo dizer isso. Para ter problemas com limites, é preciso primeiro ter limites, certo? Mas eu sou inteiramente tragada pela pessoa que amo. Sou como uma membrana permeável. Se eu amo você, eu lhe dou tudo que tenho. Dou-lhe o meu tempo, a minha dedicação, a minha bunda, o meu dinheiro, a minha família, o meu cachorro, o dinheiro do meu cachorro, o tempo do meu cachorro – tudo. Se eu amo você, carregarei para você toda a sua dor, assumirei por você todas as suas dívidas (em todos os sentidos da palavra), protegerei você da sua própria insegurança, projetarei em você todo tipo de qualidade que você na verdade nunca cultivou em si mesmo e comprarei presentes de Natal para sua família inteira. Eu lhe darei o sol e a chuva e, se não estiverem disponíveis, darei-lhe um vale de sol e um vale de chuva. Darei a você tudo isso e mais, até ficar tão exausta e debilitada que a única maneira que terei de recuperar minha energia será me apaixonar por outra pessoa."

Elizabeth Gilbert in "Comer, Rezar, Amar"

quinta-feira, 4 de junho de 2009

All The Single Ladies

Agora sim eu posso realmente voltar a blogar. Posso voltar a escrever o que sinto sem que alguém ache que é pessoal, que é uma indireta, se magoe a toa.

Por alguma razão bizarra eu escrevo melhor quando o coração dói. Acho que nem é privilégio meu (se é que dá pra chamar isso de privilégio). Muitos autores que ficaram famosos, sejam da literatura ou da música, se expressavam melhor na dor.

Estou triste, mas por enquanto sem lágrimas. Há um ano e um mês eu derramo lágrimas, e a imensa maioria delas, de tristeza, mágoa, decepção. Ninguém pode dizer que tomei uma decisão precipitada.

Deus sabe o que eu quis foi te proteger, do perigo maior que é você...

Regra básica para relacionamentos (que quando estamos cegos de paixão insistimos em não perceber): ninguém muda ninguém, só se pode mudar a si próprio. E hoje eu resolvi mudar. Resolvi tocar minha vida adiante e me dar a chance de encontrar alguém que não só diga que me ama, mas que me ame de verdade. Menos teoria, mais prática.

Amar alguém é, acima de tudo, respeitar. E eu não fui respeitada. Esse é o motivo, a quem interessar possa.

Sou independente, inteligente e às vezes sarcástica a um ponto que pareço não me importar com nada dessas supostas "bobagens" femininas. Mas quem enxerga além da superfície e me conhece bem sabe que sou igual à maioria das mulheres: eu também quero meu comercial de margarina, como disse a Bru um dia desses. Eu também quero "brincar de casinha", ter filhos. E talvez por isso eu tenha passado tanto tempo dando murro em ponta de faca. Porque quando a gente ama alguém de verdade (e meu amor era muito verdadeiro) a gente não consegue evitar de fazer planos.

Sei que é desagradável ler um texto com tamanho amargor mas vocês hão de me perdoar. Nào imagino outro tom para um momento como esse (e já utilizei meu bom humor no título, citando a Beyoncé, já está de bom tamanho).

Para aliviá-los um pouco disso, digo, com meu incurável otimismo, que vou ficar bem. Que não vou desistir do meu "comercial de margarina" porque eu sei que sou merecedora disso. Como diria a Vivis, o bom é quando passa. E isso também passará.

Vou ficar bem, eu prometo.

Voltarei a blogar quando der. Eu precisava desabafar.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Meme - 6 coisas aleatórias sobre mim

Finalmente superando a preguiça de escrever para responder ao convite da Bru, que me mandou essa meme, na qual tenho que contar seis coisas aleatórias sobre mim.

1. Já fiz curso de teatro. E eu era boa, viu? Mas desisti quando o curso começou a mexer demais com meu emocional. Fora que era um curso profissionalizante e eu não estava disposta a me dedicar tanto quanto era necessário. Porém, foi uma experiência muito rica, algo que eu pretendo retomar em algum momento da minha vida.

2. Parlo italiano! E sou autodidata. Comecei a estudar italiano há uns 10 anos. Eu e minha amiga Karen tínhamos um verdadeiro fascínio pela Itália (e pelos jogadores de futebol belíssimos hahaha) e cismamos que íamos fazer faculdade de arte na Università di Bologna. Daí compramos um curso da Globo, que tinha umas entregando a idade mode on fitas cassete entregando a idade mode off e umas apostilas pra acompanhar. Nunca estudei muito por esse método, porque era chato demais. Daí eu ouvia umas músicas italianas breguinhas, tipo Eros Ramazzotti, e, munida de um dicionário escolar Michaelis-meia-boca eu tentava traduzir as músicas. Além disso, meu canal de TV preferido era a Rai International e eu comprava o Coriere della Sera e a Gazzeta dello Sport e ficava tentando ler as notícias. Mais pra frente, com um pouco mais de confiança e de cara-de-pau, entrava em salas de bate-papo italianas para praticar e lia perguntas bizarras como "aí no Brasil tem televisão?" (juro!) para a qual eu respondia "não, não temos televisão, mas temos internet, stronzo!". Há muito tempo não escrevo nem falo italiano, mas acho que o conhecimento ainda está aqui, em alguma parte do meu cérebro. A Karenzita faz curso de italiano atualmente e va benissimo! ;)

3. Sou uma procrastinadora incurável. E o que é procrastinar? É deixar pra amanhã o que se pode fazer hoje. Estou sempre adiando as coisas, é um hábito horrível do qual eu quero me livrar (embora eu tenha dito que sou incurável, hehehehe).

4. Gosto da cultura pop. Não por acaso, minha banda preferida é os Beatles, que praticamente inventaram o pop. Esse item era pra ter sido só pra falar de música, mas enquanto eu escrevia eu pensei que há tempos me livrei de diversos preconceitos que só me faziam parecer mais chata do que eu já sou. Enfim, detesto essa postura "cool" de que pra você parecer inteligente tem que gostar das coisas "certas". E por isso eu gosto de novela, adoro folhear a Caras quando vou à podóloga ou ao dentista (e detesto quando chega a minha vez de ser atendida e eu ainda não terminei de ver a revista hahahaha) e, ainda na categoria "fofoca", leio o Ego diariamente e morro de rir das notícias inúteis; gosto do Roberto Carlos, da Britney Spears, do Amaury Jr... Enfim, passei dessa fase de ficar escolhendo do que gostar pra me encaixar em alguma tribo. Gosto do que gosto e pronto.

5. Sou muito otimista. Essa eu devo à minha mãe. Acho que uma das minhas principais qualidades é ser otimista. Tento sempre pensar que tudo vai dar certo e ver um lado positivo em cada situação, por pior que seja. Às vezes meu otimismo falha quando é em meu próprio benefício mas se alguém vier me contar um problema ou me pedir ajuda, pode ter certeza que eu vou me esforçar pra fazer essa pessoa enxergar o lado bom das coisas. Ah, e morro de preguiça de gente que fica o tempo todo reclamando da vida.

6. Sou uma quebradora de correntes crônica. É... desculpem, mas passar uma meme pra mim é pedir pra ela estacionar. Eu nunca passo pra frente, assim como não vou passar essa. :D

Bom, acho que é isso. Quem quiser fazer a meme, fique à vontade! E me avise nos comentários pra eu ir lá olhar.

terça-feira, 17 de março de 2009

Mais sobre o caso Goldman

Como eu escrevi no Twitter, não vou mesmo parar de falar sobre isso enquanto a justiça não for feita.

Leiam aqui a esclarecedora carta publicada pelo advogado de David Goldman, Ricardo Zamariola Junior, que apresenta fatos que podem ser provados e não especulações e acusações vazias.

Para mais informações a respeito do caso, recomendo uma visita aos sites Bring Sean Home e Adventures of a Gringa in Rio.

E ficadica: amiguinhos, não acreditem em tudo o que vocês veem na Globo. Sorriam, vocês estão sendo manipulados!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sobre o caso Goldman

Há dias tento escrever sobre o caso Goldman e não consigo. Finalmente achei um texto com o qual concordo totalmente, da terapeuta familiar Roberta Palermo e quero dividir com vocês:

Sean Goldman, um menino muito amado

Updates: chorei um monte lendo a segunda matéria da Piauí sobre o caso. Leiam, por favor:
A diplomacia entra em campo

David Goldman está no Brasil para a continuidade do processo (ele passou por uma avaliação psicológica) e teve um breve encontro com o filho ontem.

Assista ao vídeo da NBC sobre essa visita, aqui (nesse vídeo tem uma emocionante foto do encontro que David teve com Sean no começo de fevereiro. Pai e filho, sem sombra de dúvidas).